7 de setembro de 2011

Grande Parte da Renda Gerada Pelo Campo Vai Para a Sociedade, Mostra Pesquisa.


Pesquisa realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) constatou que R$ 837 bilhões foi a renda gerada pelo agronegócio entre 1995 e 2008, valor que não ficou no campo, foi transferido para a sociedade. 

Foram vários planos econômicos, muitas mudanças de moeda até o anúncio do real em 1994. E foi exatamente a estabilidade da economia o ponto de partida do estudo realizado pelo Cepea. Vinte produtos do segmento primário foram pesquisados entre 1995 e 2008. Entre eles, soja, milho, arroz e uva. A pecuária também fez parte do levantamento, com carnes bovina, suína e de frango. O resultado mostrou que os alimentos ficaram mais baratos e mais acessíveis.

– Nós reunimos informações de preços e quantidade de uma série de produtos e segmentos e, a partir daí, montamos as matrizes e comparamos a relação entre renda apropriada e renda gerada pelo agronegócio. A partir destas diferenças, do que foi gerado e o que não foi apropriado, foi transferido para o resto da sociedade – declarou Adriana Ferreira Silva, pesquisadora do Cepea.

O produtor Edemur Pedroso, dono de um frigorífico que abate cerca de trinta cabeças de gado por dia, concorda com a pesquisa. Os alimentos ficaram mais baratos, mas segundo ele, alguém pagou a conta.

– O produtor pagou a conta, o que aconteceu foi que se produziu mais por um preço menor. Foi razoável para o campo, porque ruim não foi – disse Pedroso.

Mesmo com a transferência de renda, a pesquisa mostrou um aumento de produtividade no período.

– O produtor rural, em geral, teve um aumento muito grande de produtividade. A gente tem, anualmente, volume de produção batendo recorde. Paralelamente, a gente tem redução de preço. Ao passo que eu aumento minha produção, no caso do produtor rural, eu ainda oferto preços reais menores – falou Adriana Ferreira da Silva.

Segundo Edemur Pedroso, são poucos que ganham com a gangorra de preços.

– Tudo bem que o caminho é a produtividade, mas que tivesse um equilíbrio no preço, tem hora que cai lá embaixo, tem hora que vai lá em cima, então são poucos que ganham com esta gangorra – frisou Pedroso.

O analista de mercado, Cesar de Castro Alves, concorda com o resultado da pesquisa e diz que a queda de preço é uma tendência histórica. Segundo ele, o produtor que se antecipa e adota logo a tecnologia consegue produzir mais com um custo menor. Já os que adotam a tecnologia por último trabalham com uma margem de lucro menor.

– Quando eles caem de preço, na verdade, você está transferindo para o consumidor final esta adoção de tecnologia. Isto é, um processo muito elegante, muito bacana e ao mesmo tempo um pouco canibalístico, porque os produtores que não se enquadrarem neste jogo de adoção de tecnologia, fatalmente serão excluídos da atividade, porque os preços tendem a cair e seus custos permanecerem elevados – explicou o analista.

Fonte: Canal Rural.

A Doença dos Custos Altos Chega ao Agronegócio.


A “doença” dos custos altos, habituais no setor industrial, está chegando ao agronegócio. O alerta foi dado por José Roberto Mendonça de Barros, diretor da paulista MBAgro, em sua palestra no Fórum Internacional de Estudos Estratégios para Desenvolvimento Agroprecuário e Respeito ao Clima, que foi realizado nesta segunda-feira (5/9), em São Paulo.

Segundo Mendonça de Barros, a agropecuária nacional deve preparar-se para a alta carga tributária; a piora na qualidade da regulamentação das terras – que cerceia os investimentos; a energia elétrica – uma das mais caras de todo o mundo e que carrega 43% de impostos na composição de preços; a infraestrutura de péssima qualidade e que vai se tornando sistêmica; e, por último, a escassez de mão de obra. “Repito, esses problemas são sistêmicos. Não se acabam no curto prazo.”

Para Mendonça de Barros, a saída para os agropecuaristas em geral é investir na produtividade. Segundo ele, isso já está acontecendo no Brasil, visto que o país é o maior produtor de alimentos no mundo. “Mas temos que melhorar muito porteira adentro. E aqui entra também a questão do meio ambiente.”

Assunto acalorado no fórum é o da exportação de commodities. Para alguns, as vendas externas de produtos primários não agrega valor, e o Brasil está se desindustrializando. Outros, pelo contrário, entendem que as vendas externas de commodities como soja, carne, entre outras, agregam valor “e muito”.

Fonte: Mundo Agro


Comentário do Blog: “Commodities” são produtos básicos, matéria-prima ou de mínimo grau de industrialização produzidos por várias empresas ou fazendas, e que sua forma não difere muito de uma para outra, como por exemplo: o leite, independente de onde e quem o produz ele não possui valor agregado nem algo que o diferencie de uma marca para outra. Exceto a embalagem.

5 de setembro de 2011

Zootecnia, a profissão da Produção Animal e do Agronegócio.

A Zootecnia foi criada pelo Conde de Gasparín em 1843 que associou as palavra Zoo: Animal e techne: Tecnica, com interrelação com a Arte. Ou seja, a Zootecnia é a Arte de criar animais domésticos e silvestres aliando conhecimento técnico com a arte de criar e produzir

Os Zootecnistas são responsáveis por todas as atividades de uma fazenda, e também por aquelas relacionadas à comercialização e logística. Na fazenda, uma das suas funções é a seleção de matrizes e reprodutores, para melhoramento genético, escolhendo os animais a serem cruzados de acordo com as características que se quer implantar no rebanho. Em conseqüência, vem a reprodução, a parte mais importante da pecuária, pois é a partir daí que será determinado o futuro do rebanho e comercial da fazenda, pois a produção é um subproduto da reprodução. Nessa fase, o Zootecnista atua como pré-determinador do animal gerado desse cruzamento. Ele é capaz de enxergar as progênies (filhos) apenas olhando para seus possíveis pais, podendo assim obter o produto final do jeito que desejar: menor ou maior comprimento, maior ou menor arqueamento de costela, aprumos, características raciais e etc. É ele que planeja o período no qual a fêmea será coberta, quando irá parir novamente, qual o melhor método de cruzamento para aquela situação e aquele animal: Inseminação artificial ou Monta Natural, o período em que o bezerro será separado da sua mãe, entre outros. Tudo isso para que o rebanho esteja em uma uniformidade, e assim possa manter uma média de produção mensal.

Todos esses animais precisam de uma alimentação balanceada para que mantenham um ganho de peso diário considerável, uma dieta específica para o período de prenhes, de desmama, de pré e pós-parto e que possam chegar ao abate o mais precoce possível, elevando assim a qualidade da carne, diminuindo os custos e aumentando os lucros. Essa é a fase mais delicada de todo processo, e por isso exige maior atenção dos Zootecnistas: economia e finanças. São eles que PLANEJAM as finanças da fazenda: quando e como comprar e vender, como diminuir o desperdício, qual a cultura a ser empregada, o momento em que será plantado, qual será o capim a ser plantado, qual ração será mais em conta e se ela sairá em conta, e tudo isso levando em consideração o bom senso das condições financeiras, climáticas, de comércio, de solo e de disponibilidade de bens da natureza como a água. Ou seja, eles são os responsáveis pelo planejamento, administração e economia da propriedade.

Os Zootecnistas também são responsáveis pelo bem estar dos animais, criando e modificando instalações, prezando pelo conforto térmico, pela disponibilidade de alimento e água, pela higiene e pelo controle de parasitas nas mesmas. E por falar em parasitas, nós prevenimos as sanidades, através da alimentação, vacinação, da higiene das instalações, como mencionado anteriormente, e do controle do rebanho.

Fora da propriedade, os Zootecnistas também trabalham com logística e representação comercial de produtos agrícolas, prestando um serviço diferenciado: venda e assessoria, dando o suporte necessário ao cliente para o melhor aproveitamento do produto. Além de poder ingressar na vida acadêmica, podendo levar conhecimento aqueles que representarão o futuro da nossa profissão.

A Zootecnia é ainda uma profissão pouco valorizada pela sociedade, mas para nós Zootecnistas isso tão pouco importa, pois isso abrilhanta e dignifica ainda mais o nosso trabalho, que mesmo sem o devido reconhecimento não medimos esforços para fazê-lo. Passando dias e noites acordados em pesquisas, estudando, nos empenhando para melhorarmos cada vez mais a agropecuária, aumentando a qualidade e diminuindo os custos de produção, para que essa redução seja repassado diretamente nos preços desses produtos para o consumidor. E a nossa recompensa e o nosso muito abrigado da Sociedade, é ver a acessibilidade de todas as classes aos derivados de proteína animal, aquela mesma que nós planejamos cada etapa minuciosamente para que ali chegasse, e consequentemente a mais importante, essa a mais gratificante de todas: a redução dos índices da FOME no mundo.

“Na luta incansável contra a fome, nós Zootecnistas planejamos a pecuária, levando junto o Amor pelos animais e o respeito pelo meio ambiente.”

Escrito por: Júlison César - AgroblogRN

“Precisamos de uma nova revolução verde”, diz representante da FAO.

A produtividade agrícola mundial está crescendo a um ritmo muito menor do que nas décadas passadas, e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento agrícola também estão desacelerando.

A partir dessas constatações, o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Hélder Muteia, chega a uma conclusão polêmica: “Precisamos de uma nova revolução verde”.

Ex-ministro da agricultura de Moçambique, Muteia defendeu nesta segunda-feira (05) o aumento dos investimentos em pesquisa agropecuária, principalmente por parte dos governos, ao participar do Fórum Internacional de Estudos Estratégicos para Desenvolvimento Agropecuário e Respeito ao Clima (Feed 2011). O evento é realizado em São Paulo pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Em sua apresentação, Muteia mostrou que desde a revolução verde, nos anos 1960, o ritmo de crescimento da produtividade agrícola vem caindo. Isso não quer dizer que a produtividade tenha sido reduzida, mas que ela está aumentando mais devagar. Ao mesmo tempo, o representante da FAO mostrou que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na área agropecuária também estão crescendo mais lentamente.

A demanda por alimentos já está em forte crescimento e, em vez de crescer, a produção até caiu neste ano. Em 2011, segundo as projeções da FAO citadas por Muteia, a produção de cereais vai cair 1,1%, enquanto o consumo desses produtos crescerá 1,9%.

A preocupação por trás desses fatos reside nas projeções de aumento da população e na demanda por alimentos. “Até 2050, teremos que aumentar a produção de alimentos em 70%, enquanto a área agrícola avançará só 20%”, calcula Muteia.

A solução, portanto, passa obrigatoriamente pelo aumento da produtividade. “Toda a revolução verde é tecnológica e o caminho agora é o mesmo dos anos 1960: sementes de qualidade, água e fertilizantes”, diz ele.

Erros do passado

Mas a nova revolução deve evitar os dois erros da anterior, alerta o especialista. O primeiro deles foi deixar de lado culturas agrícolas secundárias, como o sorgo e o feijão, que são importantes para o sustento e a dieta dos pequenos agricultures. O segundo erro foi não pensar na questão ambiental como importante variável do desenvolvimento agropecuário.

De onde virá essa nova revolução verde? Difícil dizer, mas Muteia defende o aumento dos investimentos públicos na pesquisa agropecuária. “Faltam incentivos e recursos para a pesquisa, que é um bem público e precisa ser tratada como tal”, critica ele. O retorno não é imediato, mas desses investimentos é que depende o suprimento de alimentos para os nove bilhões de habitantes que o mundo terá em 2050.

Fonte: Souagro

Comentário do Blog: É nítida a necessidade de investimento em pesquisas na agricultura e na pecuária. No Brasil, esses, representam a maior arrecadação por exportações, superando a indústria automobilística, de calçados e de petróleo, como dito anteriormente aqui no blog. É muito dinheiro gerado pela agropecuária para pouco investimento. E quem será mais afetado com isso é o mercado consumidor, que tem crescido, em números, muito mais do que a produção. Além do mais os alimentos de origem animal e vegetal, tem se tornado mais acessível, aumentando ainda mais a necessidade de crescimento do setor. E a saída a médio e longo prazo é investir principalmente no ensino superior, das ciências agrárias. Para que os futuros profissionais possam chegar ao mercado com potencial para reverter essa situação, e principalmente com a capacidade de aliar alta produção com sustentabilidade, para utilizar de forma adequada todo nosso potencial produtivo.
Essa é a solução, se o governo não quiser jogar por água abaixo todos os esforços até hoje feitos, e se não quiser que futuramente haja não só escassez de água mas também de alimento.